Não conheci esse autor, a história foi-me repassada. Mas imagino-o metido naquele chambre por cima do pijama, enfumaçado de cigarrilha, com todo bocejo blasé de que uma bicha fina é capaz quando encara rodinhas de gente embriagada tagarelando sem propriedade sobre música. Alguém o cutuca pedindo opiniões a respeito de alguns nomes óbvios. E ele dispara instantâneo e resoluto como aquele que responde quatro quando perguntam quanto é dois mais dois:
O que você acha de Elis Regina?
_ Uma Máquina !
Maria Bethânia?
_ Feiticeira !
Nara Leão:
_ Não viveu... mas parece que viveu !
Quem ouve a mocinha da zona sul carioca que foi pioneira em cantar a favela sabe: ''Não viveu mas parece que viveu'' é uma frase tão genial que deveria constar em enciclopédias ao lado do verbete Nara Leão.
Pois bem, a história me inspirou a brincadeira. Pelo prazer que as coisas inúteis dão, tentei lançar epítetos para outros tantos nomes. Sobre os quais, infelizmente, não me chegaram as definições da bicha fina, que certamente, são as definições verdadeiras, exatas, enciclopédicas. Repito: será um exercício inútil. Não tenho a menor pretensão de alcançar o brilho da bicha fina. Não que me falte a bichesse, me falta a finesse.
GAL COSTA: ORQUESTRA DE CRISTAIS
NANA CAYMI: VOZ QUE FAZ SOMBRA, PÕE REDE E AINDA FICA TE BALANÇANDO...
ELBA RAMALHO: UM CIO ETERNO
CLEMENTINA DE JESUS: QUANDO DESCE NO TERREIRO AS OUTRAS ENTIDADES SE AJOELHAM.
ELZA SOARES: MÁRTIR DO SAMBA, RESSURRETA!
CLARA NUNES: LUZ PARA SE AVISTAR DO ALTO MAR. TODOS OS FARÓIS, DE TODA A COSTA BRASILEIRA, DEVERIAM SE CHAMAR CLARA NUNES.
MAYSA: UM DIA DE CHUVA, UMA GRANDE CAIXA DE BOMBONS, DENTRO DE CADA UM, UMA LÁGRIMA.
FHÁTIMA SANTOS: O BRASIL É GRANDE MAS O CEARÁ É MAIOR
IVETE SANGALO: QUE A DILMA NÃO SAIBA, MAS É IVETE SANGALO A MULHER QUE VERDADEIRAMENTE DETÉM O PODER NESTE PAÍS. ELA ORDENA ''TODO MUNDO PRA LÁ, TODO MUNDO PRA CÁ'' E ACONTECE ALGO IMPRESSIONANTE: TODO MUNDO OBEDECE.
DOLORES DURAN: PARA AS DORES QUE DURAM
ÂNGELA MARIA: MATRIARCA
ARACI DE ALMEIDA: PATRIARCA
ALCIONE: PRA FICAR MARROM MENOS EMBRIAGADO!
RITA LEE: AMERICAN WAY OF BRAZIL
ÂNGELA RORÔ: AQUELA TREPADA DEPOIS DA BRIGA !
ADRIANA CALCANHOTO: ONDA QUE NÃO BRIGA COM O ROCHEDO, NAMORA.
DALVA DE OLIVEIRA: A ÓPERA NA BATUCADA
CARMEM MIRANDA: THOMAS EDISON DE TURBANTE E SALTO PLATAFORMA. INVENTOU DE TUDO, INVENTOU ATÉ... O BRASIL!
Meu grande e fantástico "carience" o carioca mais cearence que eu conheço. Que bom ter recebido o teu blog. Serei um assiduo frequentador dele. Estou articulando a volta do "Canja de tres" num local "Gay"...ahahahahahahaha, pois é vai virar club RG e Cia. ahahahahahaha Te mantenho atualizado. Abraços...Sarubbymmmmmmmmmmmm....
ResponderExcluirSó para dar os créditos: A história da bicha fina quem me contou foi Almir Telles, que sabe bem flagrar um momento, historiografar a pinta alheia e eternizar isso em forma de 'causos'. A ideia de Ângela Maria como Matriarca da MPB é emprestada de Ricardo Guilherme que assim a denominou em seu, aí sim, definitivo texto sobre cantoras brasileiras para o show "Cantadas" de Fabíola Líper. Já quem chamou Araci de Almeida de patriarca foi Ângela Rorô. Pode?! Pode. Foi assim: Show de Rorô no Teatro Rival, no Rio. Ali,naquela semana,havia ocorrido o velório da Araci de Almeida. Rorô, emocionada, apelou para a plateia lotada de lésbicas: "Por favor, um minuto de silêncio para nossa grande Araci de Almeida...neste mesmo palco que eu estou pisando foi velada há alguns dias a nossa..a nossa...PATRIARCA!". Silêncio não houve,a consternação virou risada! Aliás, essa é mais uma historinha que Almir Telles me contou. Esse Almir!
ResponderExcluir