quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A NOITE DOS ATORES (música)

                                                  Para Murilo Ramos


O ator ergue o braço direito
Ele vai começar a falar
Ele solta um verbo vermelho no ar
É de sangue!
Essa voz vai o mundo criar
É o verbo perfeito.

O ator baixa os olhos sereno
Ele agora já vai terminar
É silêncio de um mundo inteiro acabar
È imenso!
Seu poder é imenso
Até a cortina fechar...

 Mas quando vai pra casa
 Já é feito de fumaça.
 E é sem estrada, e não tem texto, e não tem marca no chão
 Pra posicionar seu coração
 Sob o foco  refletor da madrugada.

Ele não é mais aquele, nem aquela
Nem poder nenhum tem sobre a terra
Ou sobre a cerva que consome.
Já aprontou um monte
Bebeu todas, porra louca...
Onde esse menino se enfiou?

Doma-se no agito
E é manso e agressivo
E é calmo e aflito
Goza seu hospício interior

A alma é de artista
Tudo valerá a pena
É grande, vasta, e não, pequena.
Aplausos pro artista, por favor!

Ele pede um brinde, dedo em riste, limpa a voz
Um improviso
Abre seu livro de desassossegos!
A platéia não cora, não chora, é um sonho, a platéia não há
Ele se invoca e depois dá de ombros
Ele gosta de gargalhar e chorar,
Gargalhar e chorar
Gargalhar

Realidade renhida, que agonia, que agonia...

Abram-se as cortinas!
Toquem campainhas!
Luzes sobre o palco:

O ator quer descansar. 

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