quinta-feira, 18 de novembro de 2010

XANGÔ MALABARES  (Música)
                                                        

                                                       para Ricardo Guilherme     


Quando abre a cortina
Quando um raio arrepia
O seu bando anuncia:
_ É dele a voz que troveja poesia.

O seu bando anuncia:
_Cabeleira já chispa,
Já chegou o artista,
O ator, o passista, xangô malabarista.

_ Põe no ar
levezas de  pedra,
Põe no ar
Avessas idéias,
E outra dá,
Sustém dialética no olhar

E gesta a síntese no gesto.

_ Baluarte,
Babalorixá da sua arte,
Um são bastião
De malabares
Achando o que é ímpar
Entre seus pares.

Nem bares vão desequilibrar-te...

No tambor,
Cantor dos opostos.
Diz exu:
O duplo é o mínimo de um,
Destino de gêmeo é em um de cada.

Batucada,
Personas transubstanciadas,
A nunca contada trans-história,
A transbatucada do Homem-Pan.

Bam, bam, bam,
Na dança nagô do ramadã,
Da flor que não seca, obsessão
Por certo bravíssimo porvir.

Moacir,
O Dante, a Babel que não calou,
Coração errante que ficou,
Brincante, de si reinventor.
       
Hoje o deus Dionísio virá.
Hoje tem festa e o tempo vira- Rá.
Hoje haverá sol e chuva 
Radicais na rua,  Radicais na rua, Radicais na rua 

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