quinta-feira, 18 de novembro de 2010

ALMOÇO

Neste algo que penso ser um hotel
Da cor de tijolos aparentes e sem cor,
Na beira de uma estrada nomeada por números e, portanto, sem nome,
Cuja vista do quarto é a vaga paisagem
Que pode ser que exista depois da densa poeira
E que em nada se parece a casa onde vivi
Na rua da praia grande mas que talvez até seja,
A hora avança por mim quase desnutrida.

Mas a mesa é pontualmente posta sem fome
E não há pressa alguma quanto ao cardápio do dia:

Sempre no prato bem lavado aquela carne vazia para a solidão do almoço.
Barbitúricos solventes na janta e no futuro.
Para a ceia, a brisa quase sem brisa da tua lembrança.  
E depois, é levantar de manhã
Para mais um jejum de cem anos.

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